POLICIAL

Soja da discórdia: invasão de lote acende guerra por terras no Capão Bonito 2

Moradores denunciam tomada irregular de área produtiva e temem nova onda de conflitos em Sidrolândia

Na madrugada desta quarta-feira, o silêncio do Assentamento Capão Bonito 2, em Sidrolândia (MS), foi quebrado por um caminhão que descarregou móveis e mantimentos em um lote de 18 hectares. Ao amanhecer, vizinhos foram surpreendidos: um casal vindo de Maracaju havia instalado habitação no espaço — cultivo de soja já estava em curso. A situação acendeu o alerta entre os moradores da região, que afirmam ver ali o risco de uma escalada de invasões e de conflitos fundiários mais severos.

Segundo moradores, os invasores consideraram o lote “disponível” por estar sem morador fixo, ignorando que a área pertence legalmente a uma herdeira. A investida, dizem, gerou revolta, especialmente porque o cultivo já vinha sendo explorado por terceiros. Um vizinho relatou que os invasores tentaram entrar e colocar os móveis na casa, mas foram impedidos por moradores da região, que dispunham-se a defender o território. A Polícia Militar foi acionada e enviou viatura para evitar confronto físico.

O episódio ocorre em um contexto delicado: desde julho, o Incra realiza vistoria técnica nos lotes do assentamento, por determinação da Controladoria-Geral da União. O objetivo: investigar denúncias de irregularidades na comercialização ou arrendamento de áreas para plantios em larga escala. Muitos assentados já vivem apreensão com boatos de que lotes seriam retomados ou redistribuídos caso irregularidades sejam comprovadas.

O assentamento foi criado há 35 anos, distribuído em 308 lotes e com mais de 8 mil hectares, ocupados por atividades agrícolas e pecuárias. Produzir é a realidade de muitos ali — mas a fiscalização, temida por alguns, vem levantando dúvidas sobre quem de fato tem direito à terra. Moradores dizem que não foram formalmente informados das razões para a operação e receiam sanções ou retaliações.

À frente do Incra regional, Paulo Roberto disse que o órgão atua apenas sob determinação judicial e de instâncias federais, e que qualquer medida de força dependerá dos resultados das apurações. A entidade, contudo, enfrenta críticas de políticos locais, que já cobraram clareza e ação.

A invasão do lote com cultivo de soja reacende o debate sobre uso indevido da terra pública, ocupação irregular e os limites entre o direito de posse e as regras da reforma agrária.

Em Capão Bonito 2, os moradores reafirmam que querem produção sustentável, segurança jurídica e diálogo — e não confrontos em plena noite silenciosa.

Receba as principais notícias do Estado pelo Whats. Clique aqui para acessar as noticias do Four News siga nosso Instagram

Foto: Four News



Deixar um Comentário