CORRUPÇÃO JUSTIÇA

Operação Tromper: Justiça condena réus por fraudes e corrupção em Sidrolândia a até 37 anos de prisão

Ministério Público apontou direcionamento de licitações, falsificação de documentos e desvio de recursos em contratos públicos entre 2018 e 2023

Da esquerda para direita : Claudinho Serra;Roberto Valençuela;Flávio Trajano;Ewerton Lusceiro;Frescura,Ricardo Rocamora;Odinei Ribeiro e Cesar Bertoldo (Foto:Divulgação/Reprodução)

A Vara Criminal de Sidrolândia divulgou sentença parcial em um dos maiores processos de crimes contra a Administração Pública já registrados no município. Segundo o Ministério Público, o grupo formado por agentes públicos e empresários teria fraudado licitações, desviado recursos e falsificado documentos entre 2018 e 2023, em contratos que somam centenas de milhares de reais.

O caso ganhou destaque com a chamada Carta Convite nº 012/2018, que, segundo a acusação, foi direcionada para beneficiar empresas ligadas aos próprios investigados, simulando competição e utilizando orçamentos falsos. Serviços de poda de árvores teriam sido executados por terceiros sem vínculo formal, enquanto empresas de fachada figuravam como contratadas.

Provas obtidas com quebras de sigilo e documentos apreendidos indicam que as propostas apresentadas no certame foram elaboradas por uma única pessoa, e até arquivos com nomes irônicos, como “Frescura.docx”, foram encontrados, evidenciando o desprezo pela legalidade do processo licitatório.

Tiago Basso da Silva ,colaborou com a investigação delatando o esquema (Foto:Reprodução)

Parte dos acusados firmou acordos de colaboração premiada, enquanto outros respondem por crimes como fraude em licitação, corrupção ativa e passiva, peculato, falsidade ideológica e participação em organização criminosa. A Justiça determinou ainda a suspensão dos direitos políticos e perda de funções públicas para os réus condenados, além de pedidos de indenização por danos ao erário que ultrapassam R$ 350 mil.

Condenações e absolvições

  • Ueverton da Silva Macedo – 37 anos, 10 meses e 8 dias de prisão (regime fechado). Apontado
    como um dos líderes, controlava empresas de fachada e coordenava a execução fraudulenta de
    contratos.
  • Ricardo José Rocamora Alves – 28 anos, 3 meses e 20 dias de prisão (regime fechado). Atuava
    diretamente na simulação de concorrência e repasse de propinas.
  • Roberto da Conceição Valenzuela – 11 anos e 6 meses de prisão (regime fechado). Produziu
    orçamentos falsos e participou da montagem dos certames fraudulentos.
  • Evertom Luiz de Souza Luscero – 15 anos e 9 meses de prisão (regime fechado). Participou da
    organização criminosa e reincidiu em fraudes a licitações.
  • César Augusto dos Santos Bertoldo – 5 anos, 6 meses e 20 dias de prisão (regime
    semiaberto). Condenado por corrupção passiva continuada e peculato.
  • Flávio Trajano Aquino dos Santos – 8 anos e 4 meses de prisão (regime fechado). Atuava na
    captação de empresas e na obtenção de orçamentos simulados.
  • Odinei Romeiro de Oliveira – 4 anos, 9 meses e 18 dias de prisão (regime semiaberto). Usou
    sua empresa para encobrir serviços não realizados.
    Absolvido:
  • Carlos Alessandro da Silva (Lê) – Absolvido por insuficiência de provas (art. 386, VII do CPP).
    Colaboradores premiados (processo suspenso):
  • Tiago Basso da Silva – Acordo de colaboração premiada; fatos serão julgados em ação própria.
  • Milton Matheus Paiva Matos – Colaborador premiado; processo suspenso e desmembrado

Na Operação Tromper, o juiz Alessandro Carlo Meliso Rodrigues condenou Ueverton, Ricardo e César a ressarcirem solidariamente R$ 26,7 mil por um contrato fraudulento. Ueverton e Ricardo também deverão pagar R$ 323,2 mil por outros dois casos apurados, com juros e correção.
O esquema, ocorrido entre 2018 e 2021 em Sidrolândia, envolvia empresas de fachada e “laranjas” para fraudar licitações de serviços como poda de árvores e dedetização.
As investigações começaram em 2021 após denúncias ao Ministério Público, que apontaram direcionamento de contratos e execução por pessoas sem capacidade técnica. O MP e o GECOC abriram investigação, quebraram sigilos e encontraram manipulação de editais.
Em 2023, a operação foi deflagrada com mandados de busca, apreensões e prisões. Em 2024, ocorreu a fase de instrução, e em agosto de 2025, a Justiça condenou os envolvidos, totalizando mais de 90 anos de prisão para os réus.

A Operação Tromper segue com desdobramentos e outras frentes de investigação ainda em andamento.A sentença não abrange as etapas da Operação Tromper, deflagradas a partir de 2021 que tiveram, dentre outros, desdobramentos à prisão do ex-secretário de Fazenda e genro da ex-prefeita Vanda Camilo,Cláudio Serra,apontado como responsável pela manutenção do suposto esquema de manipulação de licitações e cobrança de propina de fornecedores e prestadores de serviço da Prefeitura.

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Foto: Divulgação


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