POLÍTICA

Lula encosta em Tarcísio e perde para Michelle em nova pesquisa eleitoral

Na contraposição entre força nacional e disputas regionais, a pesquisa revela um eleitorado sul-mato-grossense em mutação

Em levantamento recente que ouviu três mil pessoas entre os dias 1º e 8 de novembro e apontou margem de erro de 1,8 ponto percentual, o atual presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) aparece em situação de alta relativa: em um cenário de múltiplos pré-candidatos, ele lidera frente ao ex-governador Tarcísio de Freitas, mas curiosamente perde tanto para o ex-presidente Jair Bolsonaro quanto para sua esposa, Michelle Bolsonaro, no estado de Mato Grosso do Sul.

No confronto direto com Tarcísio, Lula obteve 34% das intenções de voto contra 33% do adversário — uma margem estreita, porém simbólica da ascensão de Lula nessa localidade. Já em outro cenário mais fragmentado, Michelle lidera com 37%, seguida de Lula com 32%, enquanto Tarcísio mal atinge 5%. O dado é revelador: mesmo com o desgaste nacional enfrentado por Lula, sua performance em MS melhora; porém, a força da direita continua predominando.

Quando a disputa vai para o segundo turno, o quadro fica ainda mais claro. Contra Bolsonaro, Lula aparece com 44% enquanto o rival atinge 56%. Frente a Michelle, o cenário se inverte — Lula marca 47% e a “dona da bola” lidera com 53%. Já a seu favor, Lula venceria Tarcísio por 52% a 48% e superaria também o governador do Paraná, Ratinho Júnior, por 58% a 42%. Em termos de outros adversários, se enfrentasse o governador Caiado da Figueiredo, alcançaria 65% contra 36%; e diante de Romeu Zema, brilharia com 70% a 30%.

Para analistas, o quadro sugere que, embora Lula esteja reconquistando espaço entre os sul-mato-grossenses, a polarização direita versus esquerda se mostra mais forte no estado do que em outros recortes regionais. A figura de Michelle, cuja citação por 37% dos entrevistados supera a de Lula em um dos cenários, evidencia o impacto de uma nova geração de lideranças alinhadas à direita que operam com dinâmica distinta da polarização tradicional.

Outro fator importante a se considerar é o elevado índice de indecisos ou pessoas que afirmaram não responderia ou votaria em branco, que ultrapassa 20% em alguns cenários. Esse contingente sugere que a disputa ainda está longe de ter vencedores definidos localmente e que mobilizações regionais — alianças partidárias, atuação dos prefeitos e a penetração em zonas rurais — poderão redefinir o tabuleiro político.

Para o eleitor comum no Mato Grosso do Sul, a disputa revela que não se trata mais apenas de nomes, mas de perfis: o estadista tradicional versus a retórica renovada da direita, o conhecido versus o emergente, e uma sociedade que busca colocar no centro da discussão a governança local, as políticas públicas e a articulação com Brasília. O fato de Lula liderar contra Tarcísio, mas perder para candidaturas da direita, revela justamente essa dicotomia: ele reconquista espaço, mas ainda não reconquista hegemonia.

Com 2026 se aproximando no calendário político, o resultado deixa claro que os movimentos regionais serão decisivos. No Mato Grosso do Sul, o resultado dessa viragem pode não ser um espelho fiel do país, mas indica que a disputa nacional ainda está sendo desenhada município por município — e assinatura de voto por assinatura de voto.

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Foto: Divulgação


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