Ex-chefe de licitações tenta se livrar de tornozeleira, mas MP diz que organização criminosa ainda atua no município e mantém contratos milionários

O Ministério Público de Mato Grosso do Sul declarou que o esquema de corrupção chefiado pelo ex-secretário Claudinho Serra (PSDB), em Sidrolândia, segue ativo até os dias de hoje. A informação consta em uma manifestação contrária ao pedido de Marcus Vinícius Rossettini de Andrade Costa, ex-chefe de licitações do município, que tenta se livrar do uso da tornozeleira eletrônica.
Segundo a procuradora de Justiça Criminal, Filomena Aparecida Depólito Fluminhan, a Operação Tromper identificou a existência de uma estrutura criminosa desde 2017, que atua de forma sistemática com fraudes em licitações para obtenção de vantagens ilícitas.

Rossettini é apontado como figura-chave no esquema. Ele seria o responsável por direcionar processos licitatórios para empresas ligadas ao grupo, além de auxiliar diretamente na execução das fraudes. Em mensagens interceptadas, Claudinho o chamou para reassumir cargo estratégico no momento em que foi nomeado secretário municipal de Finanças, afirmando que Marcus “já é do time”.
Mesmo sob monitoramento eletrônico desde maio de 2023, a defesa de Rossettini alega que ele não violou nenhuma das medidas cautelares, mas a Justiça de MS manteve o uso da tornozeleira por mais seis meses. Agora, tenta um novo recurso no STJ.
Contrato de R$ 17 milhões e suspeita de continuidade
O MP também aponta a existência de contrato vigente entre a Prefeitura de Sidrolândia e a GC Obras de Pavimentação Asfáltica, empresa investigada por ser supostamente de fachada e que teria sido criada apenas para vencer licitações.
O contrato, que ultrapassa R$ 17 milhões e tem validade até março de 2026, é um dos indícios que reforçam, segundo o Gaeco, a continuidade do esquema criminoso. A GC Obras é ligada ao empreiteiro Cleiton Nonato Correia , que está preso desde a 4ª fase da Operação Tromper, deflagrada em junho, junto com Claudinho Serra e o assessor Carmo Name Júnior.
Prefeito nega e diz que obra é de responsabilidade da Agesul
Em conversa com o Four News,o prefeito de Sidrolândia, Rodrigo Basso (PL), negou que haja qualquer envolvimento da atual gestão com o esquema. Segundo ele, o contrato foi celebrado via convênio com a Agesul (Agência Estadual de Gestão de Empreendimentos), e os pagamentos apenas passaram pela conta da prefeitura.
Basso ainda afirmou que a administração precisou acionar a empreiteira para que refizesse obras mal executadas. “Estamos cobrando a empresa, pois tem muito serviço para refazer. A prefeitura entrou com recurso pedindo a garantia da execução”, esclareceu.
Enquanto isso, o Ministério Público segue investigando. A mais recente denúncia transformou em réus o pai e a esposa de Claudinho Serra, além de outras oito pessoas ligadas à suposta organização.

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Foto: Divulgação


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