Investigação da Operação Tromper aponta organização criminosa voltada a fraudes em licitações, com delações, prisões e mais de 20 investigados ligados à administração pública

Um relatório do Gecoc (Grupo Especial de Combate à Corrupção) trouxe novos detalhes sobre o suposto esquema de corrupção investigado em Sidrolândia, envolvendo o ex-secretário de Finanças, Claudinho Serra. Conforme a apuração, o ex-gestor recebia no gabinete caixas de suco, iogurtes e outros produtos adquiridos por meio de um sistema conhecido pelos envolvidos como “saldo” ou “troca”.
As informações foram detalhadas a partir da delação premiada do ex-servidor e empresário Milton Paiva, firmada com o MPMS (Ministério Público de Mato Grosso do Sul) dentro da Operação Tromper. Capturas de tela anexadas ao relatório mostram conversas em que Paiva registra uma lista de itens — como suco, água com gás e iogurte de laranja e mel — que seriam destinados ao gabinete.
Segundo o Gecoc, empresários que integravam o esquema acumulavam “créditos” decorrentes de contratos públicos e convertiam esses valores em bens e serviços, incluindo itens considerados “mimos”.
Como funcionava o esquema de “saldos”
De acordo com a investigação, o grupo utilizava contratos administrativos já existentes para simular demandas oficiais. Servidores envolvidos emitiriam solicitações falsas em nome da administração pública, permitindo a emissão de notas fiscais e a liberação de pagamentos.
Após o repasse do dinheiro ao fornecedor, o valor passaria a integrar uma espécie de contabilidade paralela, chamada pelos participantes de “fazer saldo”. Esses créditos ficariam à disposição dos gestores para aquisição de bens sem licitação, favorecimento político ou uso pessoal.
Em trecho da delação transcrito pelo Gecoc, Milton Paiva afirma que chegou a fornecer água, iogurtes e cápsulas de café ao gabinete por meio desse sistema, intermediado pelo assessor pessoal de Serra, Carmo Name.
Operação Tromper e o avanço das investigações
Desde as primeiras fases da Operação Tromper, o MPMS identificou uma organização criminosa voltada à fraude em licitações e contratos administrativos com a Prefeitura de Sidrolândia. Conforme a denúncia, o grupo teria atuado para direcionar processos licitatórios e desviar parte dos valores contratados.
O Ministério Público aponta que Claudinho Serra, à época secretário de Fazenda, Tributação e Gestão Estratégica na gestão de sua sogra Vanda Camilo, seria o mentor do esquema e teria cooptado outros servidores públicos. Durante as fases da operação, um ex-vereador e outros dois investigados chegaram a ser presos.
Na quarta fase da ofensiva, mais de 20 pessoas ligadas à administração pública foram alvo das investigações. A ação conjunta da 3ª Promotoria de Justiça de Sidrolândia, do Gecoc e do Gaeco cumpriu três mandados de prisão e 29 mandados de busca e apreensão.
A nova investida das autoridades também atingiu o núcleo familiar do ex-secretário. O pai, Cláudio Jordão de Almeida Serra, e a esposa, Mariana Camilo de Almeida Serra — filha da ex-prefeita Vanda Camilo —, foram indiciados no decorrer das apurações.
Réus e valores investigados
Claudinho Serra e outras 22 pessoas se tornaram réus após o juiz da Vara Criminal de Sidrolândia, Fernando Moreira Freitas da Silva, aceitar a denúncia apresentada pelo MPMS em abril de 2024.
Delações e investigações do Gecoc apontam supostas fraudes em diferentes setores da Prefeitura, como o Cemitério Municipal, a Fundação Indígena, o abastecimento da frota de veículos e repasses feitos por empresários ao grupo investigado.
Segundo o Ministério Público, os valores desviados poderiam variar entre 10% e 30% dos contratos públicos, dependendo do tipo de repasse, descrito pelos envolvidos como “mesada”.
Defesa
O advogado de Claudinho Serra foi procurado para comentar as acusações, mas não respondeu até o fechamento desta publicação. O espaço segue aberto para manifestação.
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Foto: Reprodução/Divulgação


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