CORRUPÇÃO

“Bolinhos de Dinheiro”: Tromper 4 revela detalhes de propina com fotos e áudios em Sidrolândia

Quarta fase da operação do Ministério Público escancara mensagens e imagens que mostram repasses fracionados de dinheiro vivo entre operadores do esquema; propina somou mais de R$ 160 mil em espécie.

Mais um capítulo de uma novela que parece longe do fim. A quarta fase da Operação Tromper, deflagrada em junho deste ano, trouxe à tona revelações estarrecedoras sobre o esquema de corrupção e fraude em licitações que assombra a Prefeitura de Sidrolândia desde maio de 2023. Desta vez, o foco está em fotos de “bolinhos de dinheiro”, áudios trocados entre os envolvidos e o detalhamento minucioso das propinas.

Conforme investigações do Gecoc (Grupo Especial de Combate à Corrupção) e do Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado), ambos do Ministério Público Estadual (MPE), os valores ilícitos eram entregues em espécie, com direito a contagem de cédulas em mensagens e até conferência fotográfica do “bolo de notas”.

Em uma das conversas obtidas a partir de um celular apreendido, Tiago Alves, operador financeiro do núcleo empresarial, envia um áudio a Carmo Name Júnior, cobrando a entrega do dinheiro. Carmo responde com fotos dos “bolinhos” e os dois iniciam um diálogo sobre os valores da propina. Faltavam valores simbólicos: R$ 1.000 aqui, R$ 500 ali, em uma demonstração quase contábil da corrupção cotidiana.

Em determinado momento, Carmo envia um áudio para esclarecer: “Faltam R$ 1.000 em notas de 20, R$ 1.000 em notas de 100. No bolo com notas de 20 está faltando R$ 100 pra completar R$ 165 mil. Na boca do caixa só dá pra sacar R$ 49 mil, por isso tá faltando mil reais.”

Segundo o MPE, os repasses de propina eram feitos por intermediários ligados a empresários com contratos públicos e movimentados por contas de terceiros para esconder a origem ilícita do dinheiro. O beneficiário final, segundo os promotores, era Cláudio Serra Filho, conhecido como Claudinho Serra, genro da ex-prefeita Vanda Camilo.

Claudinho foi secretário de Fazenda e, após a primeira fase da Tromper, tornou-se vereador em Campo Grande. Foi preso, liberado com tornozeleira eletrônica e, agora, voltou a ter a prisão decretada na Tromper 4.

Além da cobrança e entrega das propinas — especialmente em obras de pavimentação —, Carmo Name Júnior também ficou responsável por movimentar contas alheias, numa tentativa de limpar o dinheiro sujo, segundo a promotoria.

A nova fase teve o objetivo de reforçar as provas já colhidas e rastrear outros crimes contra a administração pública, com foco também na lavagem de dinheiro. O rastro da corrupção está mais visível do que nunca: com áudio, imagens e muitos “bolinhos”

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Foto: Reprodução/Divulgação

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