CORRUPÇÃO

Depois de desviar milhões, agora querem apagar as provas? Réus da Tromper tentam anular processo

Empresária envolvida na operação Tromper acusa o MP de uso de provas ilícitas. Esquema teria desviado milhões com ajuda de políticos, empresários e servidores.

Dois anos após vir à tona, o escândalo que abalou Sidrolândia ganha mais um capítulo polêmico. A empresária Maxilaine Dias de Oliveira, dona da Master Blocos, tenta agora anular a denúncia do Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS) no processo da Operação Tromper, que investiga um esquema milionário de corrupção. Segundo a defesa, a acusação seria baseada em conversas de WhatsApp supostamente obtidas sem autorização judicial.

De acordo com o advogado Michael de Andrade, “as provas colhidas violam a privacidade da empresária e contaminam todo o processo”. Em manifestação enviada à Justiça na última sexta-feira (25), a defesa pede que a denúncia seja considerada nula por uso de “provas ilícitas”.

O juiz responsável, Bruce Henrique dos Santos Bueno Silva, irá decidir se acata ou não o pedido da empresária, que figura entre os 27 réus do processo, que já soma mais de 7 mil páginas e conta com duas delações premiadas.

A operação começou em maio de 2023, quando o Gaeco deflagrou a primeira fase contra empresários e servidores de Sidrolândia. O foco inicial era a empresa Rocamora Serviços, apontada como central na emissão de notas fiscais frias.

Um dos contratos investigados somava mais de R$ 2,3 milhões com a prefeitura, envolvendo até mesmo fornecimento de chaveiros e merenda escolar.

O suposto chefe do esquema, o ex-vereador de Campo Grande Claudinho Serra (PSDB), foi preso na terceira fase da operação, em abril de 2024. Segundo o MP, ele exigia “comissões” de até 30% sobre contratos públicos – prática revelada por meio de delações premiadas.

Essa não é a primeira tentativa de barrar o avanço da investigação. A defesa de Claudinho já havia alegado incompetência da Justiça de Sidrolândia, sem sucesso. Ele permanece preso e busca agora recursos para deixar a cadeia.

O escândalo, que envolveu empresários, servidores e políticos, segue sem previsão de julgamento, mas continua movimentando os bastidores da Justiça em Sidrolândia.

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Foto: Four News

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