Henrique Budke, Arnaldo Glaglau, políticos e empresários podem responder por organização criminosa, corrupção e frustrar competitividade de licitações

Em uma operação que abalou a política local, o prefeito de Terenos, Henrique Budke (PSDB), foi preso no ultimo dia 9 de Setembro sob acusação de chefiar um esquema de corrupção que teria desviado cerca de R$ 15 milhões de verbas municipais por meio de fraudes em licitações. Além dele, mais 25 pessoas, entre vereadores, servidores, empresários e até um policial militar, foram denunciadas por participarem da trama que manipulava editais, recebia propinas e favorecia empreiteiras ligadas ao grupo.
As investigações, coordenadas pelo Gaeco e pelo Gecoc, apontam que o prefeito e sua quadrilha montaram núcleos bem estruturados dentro da prefeitura para fraudar disputas licitatórias: os editais eram feitos sob medida, a competição era simulada, e empresas predestinadas venciam sem concorrência real. Também houve pagamentos de propinas a agentes públicos que fraudavam atestados de entrega e aceleravam o trâmite de documentos internos para favorecer os contratos.
Ainda segundo o Ministério Público, entre 2020 e 2024 o patrimônio declarado de Budke sofreu um aumento de 691% — um sinal, para os investigadores, de que os recursos desviados alimentaram um processo de enriquecimento ilícito. Bens imóveis e empresas foram usados para ocultar valores, e há indícios de que a declaração oficial de valores ficou muito aquém de seu valor real de mercado.
Entre os alvos da operação está um policial militar do Choque — identificado como Fábio André Hoffmeister Ramires —, apontado como sócio oculto de empreiteira envolvida nas fraudes, e diversas pessoas ligadas à administração municipal. Todos foram detidos no dia da operação, e alguns pedidos de liberdade provisória já foram negados. Há casos em que foi concedida prisão domiciliar, como no da empreiteira Nádia Mendonça Lopes, que alegou necessidade de cuidar dos filhos.
O prefeito, por sua vez, se manifestou por meio da assessoria, afirmando que “até o momento o Poder Executivo Municipal não foi oficialmente comunicado sobre as razões da ação”, ressaltando, contudo, que a prefeitura está colaborando com autoridades e entregando documentos e informações para elucidação dos fatos.
Nas redes sociais, parte dos vereadores do município silenciou diante da operação e das denúncias. Apesar dos esforços da imprensa, muitos parlamentares não responderam requisitações de posicionamento sobre o episódio.
A prisão do prefeito e a ampla lista de denunciados reacendem o debate sobre transparência, controle social e a fragilidade dos mecanismos de fiscalização nos municípios, especialmente quando a própria gestão pública pode estar envolvida nas irregularidades. O caso — ainda em curso — é acompanhado com atenção pela população de Terenos e por autoridades de Mato Grosso do Sul, que esperam respostas e responsabilização diante de um esquema que, segundo o MPMS, causou prejuízo grave aos cofres públicos e à credibilidade da administração local.
Foram Denunciados:
- Henrique Budke (PSDB), prefeito afastado de Terenos
- Arnaldo Glagau (PSD), vereador e empresário
- Arnaldo Santiago, empresário
- Cleberson José Chavoni Silva, empresário
- Daniel Matias Queiroz, empresário
- Edneia Rodrigues Vicente, empresário
- Eduardo Schoier, empresário
- Fábio André Hoffmeister Ramires, policial militar e empresário
- Felipe Braga Martins, empresário
- Fernando Seiji Alves Kurose, empresário
- Genilton da Silva Moreira, empresário
- Hander Luiz Correa Grote Chaves, empresário
- Isaac Cardoso Bisneto, ex-secretário municipal de Obras e Infraestrutura
- Leandro Cícero de Almeida Brito, engenheiro
- Luziano dos Santos Neto, empresário
- Maicon Bezerra Nonato, servidor público municipal
- Marcos do Nascimento Galitzki, empresário
- Nádia Mendonça Lopes, empresária
- Orlei Figueiredo Lopes, comerciante
- Rinaldo Córdoba de Oliveira, empresário
- Rogério Luís Ribeiro, empresário
- Sandro José Bortoloto, empresário
- Sansão Inácio Rezende, empresário
- Stenia Souza da Silva, empresário
- Tiago Lopes de Oliveira, empresário
- Valdecir Batista Alves, empresário
Operação do Gaeco em Terenos prende prefeito
A Prefeitura de Terenos foi alvo de devassa do Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado) e Gecoc (Grupo Especial de Combate à Corrupção) em 9 de setembro.
Foram expedidos 16 mandados de prisão, além de 59 mandados de busca e apreensão em Terenos, Campo Grande e Santa Fé do Sul (SP).
Prefeito de Terenos chefiava esquema de fraude em licitação
Henrique Budke é apontado como líder da organização criminosa alvo da Operação Spotless, deflagrada pelo Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado) e Gecoc (Grupo Especial de Combate à Corrupção), em 9 de setembro.
A investigação apontou que o grupo liderado por Budke tinha núcleos com atuação bem definido. Servidores públicos fraudaram disputa em licitações, a fim de direcionar o resultado para favorecer empresas.
Os editais foram elaborados sob medida e simulavam competição legítima. Somente no último ano, as fraudes ultrapassam os R$ 15 milhões.
O esquema ainda pagava propina para agentes públicos que atestavam falsamente o recebimento de produtos e de serviços, e aceleravam os processos internos para pagamentos de contratos.
A Operação Spotless foi deflagrada a partir das provas da Operação Velatus, que foi realizada em agosto de 2024. O Gaeco e Gecoc obtiveram autorização da Justiça e confirmaram que Henrique Budke chefiava o esquema de corrupção.
Spotless é uma referência à necessidade de os processos de contratação da administração pública serem realizados sem manchas ou máculas. A operação contou com apoio operacional da PMMS (Polícia Militar de MS), por meio do BPCHq (Batalhão de Choque) e do Bope (Batalhão de Operações Especiais).
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Foto: Reprodução/Rede Social


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