ECONOMIA

Sob ameaça dos EUA, boom da laranja em Sidrolândia pode azedar antes de amadurecer

Com investimento bilionário da Cutrale e promessa de geração de empregos, projeto de citricultura em Sidrolândia corre risco por causa de possível sobretaxa de 50% imposta pelos Estados Unidos ao suco de laranja brasileiro

Enquanto o Mato Grosso do Sul vive a expectativa de se tornar uma nova potência da citricultura no Brasil, um anúncio feito pelo governo norte-americano ameaça espremer as projeções otimistas do setor. A possível sobretaxa de 50% sobre o suco de laranja brasileiro, proposta pela gestão de Donald Trump, caiu como uma bomba nos bastidores do agronegócio e pode afetar diretamente o projeto bilionário que está sendo implantado em Sidrolândia.

A gigante Cutrale, uma das maiores processadoras de laranja do mundo, escolheu Sidrolândia para plantar quase 5 mil hectares da fruta até 2026. O objetivo é produzir até 8 milhões de caixas por ano, com um investimento estimado em até R$ 1 bilhão e forte impacto na geração de empregos e renda para a região. O cenário parecia promissor: clima ideal, solo fértil e um pacote de incentivos estaduais que inclui crédito presumido de 80% no ICMS até 2032 (conforme o decreto estadual 16.527/2024).

Mas o entusiasmo virou apreensão. Caso os Estados Unidos — que compram 42% do suco de laranja brasileiro — imponham a nova tarifa, o custo final por tonelada poderá saltar de US$ 415 para até US$ 2.600. Segundo a CitrusBR (Associação Nacional dos Exportadores de Sucos Cítricos), a indústria não tem como absorver o impacto, o que tornaria inviável continuar exportando para o país. A consequência pode ser devastadora: colheitas interrompidas, fábricas paradas e um efeito dominó que ameaça 200 mil empregos em todo o Brasil.

Além da Cutrale, outros gigantes do setor também apostaram no MS, como a Agro Terena (1,2 mil hectares em Bataguassu), Grupo Junqueira Rodas (1,5 mil hectares em Paranaíba) e o Grupo Moreira Salles, que prometeu R$ 1,2 bilhão em Ribas do Rio Pardo. A euforia era justificada: com uma legislação estadual severa no combate ao greening (doença dos citros), o Estado despontava como novo polo da laranja brasileira.

A assessoria da Cutrale preferiu não comentar o impacto da taxação, e a Semadesc (Secretaria de Desenvolvimento do MS) também se silenciou, por considerar o caso de competência federal. Já a Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) pressiona o Itamaraty por uma resposta diplomática firme para evitar o colapso de uma cadeia produtiva que vinha sendo celebrada como motor de desenvolvimento.

Sidrolândia, que mal começava a colher os frutos desse novo ciclo agrícola, agora torce para que a crise comercial com os Estados Unidos não transforme a doce aposta da citricultura em um amargo prejuízo.

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Foto: Semadesc /

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