Empresa que anunciou “férias coletivas” deixou produtores com mais de R$ 2 milhões em prejuízo e virou alvo de ações judiciais.

O que deveria ser apenas uma pausa temporária nas atividades acabou se transformando em dor de cabeça para dezenas de produtores rurais da região. O frigorífico Balbinos instalado em Sidrolândia anunciou férias coletivas, mas logo depois surgiram acusações de calote que ultrapassam os R$ 2 milhões.
De acordo com os pecuaristas lesados, os animais foram entregues para abate normalmente, mas o pagamento nunca chegou. Alguns aguardam desde setembro, com valores que variam de pequenas faturas a cifras que ultrapassam R$ 800 mil. A empresa, que justificou a suspensão das atividades como uma “parada técnica”, agora é alvo de ações na Justiça que pedem bloqueio de bens, penhora de contas e até arresto de gado.
Em um dos casos, a dívida chega a R$ 843,4 mil. O valor se refere à soma de duas faturas pela venda de gado feita por um produtor de Campo Grande. Ele pediu à Justiça uma decisão rápida para garantir o bloqueio e a apreensão dos animais que foram vendidos, de forma a evitar prejuízo. Na ação, o autor ressalta que o montante representa a “renda crucial para a continuidade da atividade comercial e da subsistência familiar”.
Outro processo, movido também por um pecuarista da Capital, envolve R$ 26,1 mil. O valor foi apurado após o abate de quatro animais (três bois e uma vaca), conforme nota fiscal emitida pelo frigorífico. A ação de execução de título extrajudicial sustenta que o débito permanece mesmo após os descontos obrigatórios de contribuições.
Um terceiro produtor, médico veterinário de Campo Grande, cobra R$ 457,7 mil. Ele afirma que o frigorífico deixou de pagar a fatura vencida em 13 de outubro, data em que também anunciou férias coletivas. A petição descreve o episódio como “cenário de grave crise financeira e iminente insolvência”
Outro caso envolve um pecuarista de Osvaldo Cruz (SP), proprietário de uma fazenda em Coxim. Ele relata ter vendido 27 bois Nelore por R$ 181,6 mil, com pagamento previsto para 13 de outubro. O valor não foi pago, e o produtor entrou na Justiça com uma ação para cobrar a dívida, pedindo também o bloqueio e a apreensão dos bens do devedor.
Já um produtor de Ribas do Rio Pardo cobra R$ 623,4 mil, também referentes à venda de gado realizada em outubro. Segundo a ação, os animais foram entregues e abatidos normalmente, mas o frigorífico não efetuou o pagamento. O pecuarista ainda pede o reconhecimento de R$ 9,4 mil adicionais, referentes ao incentivo do programa Precoce/MS, previsto em decreto estadual.
O sindicato da categoria chegou a informar aos trabalhadores que as atividades poderiam ser retomadas no início de novembro, mas até o momento não há confirmação oficial de que os débitos serão pagos ou renegociados.
O Four News tentou contato com o frigorífico Balbinos Agroindustrial, mas não obteve retorno até a publicação do material. O espaço segue aberto para manifestações futuras.
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Foto: Rede Social


[…] O Frigorífico Balbinos Agroindustrial, instalado em Sidrolândia, conseguiu na Justiça uma decisão que suspende, por 30 dias, todas as penhoras e bloqueios de bens movidos contra a empresa. A medida foi concedida pelo juiz responsável pelo caso, permitindo um curto período de alívio enquanto o frigorífico tenta organizar sua situação financeira e preparar um pedido formal de recuperação judicial. […]