POLICIAL

Operação da PF atinge delegacia e coloca policial de Sidrolândia entre investigados

Investigação aponta vazamento de informações sigilosas e movimentação milionária ligada a organização criminosa

Célio (camisa cinza) durante conversa com Douglas na porta de delegacia. (Foto: Reprodução)

Uma grande operação da Polícia Federal movimentou Mato Grosso do Sul na manhã desta terça-feira (18), com ações simultâneas em Campo Grande e Sidrolândia. Entre os alvos, está um policial civil que atua no município, suspeito de envolvimento em um esquema criminoso que utilizava a própria estrutura pública para favorecer atividades ilegais.

As diligências ocorreram, inclusive, dentro de unidades da Polícia Civil — como a 5ª Delegacia, na Capital, e a delegacia de Sidrolândia — evidenciando a gravidade das suspeitas investigadas.

Ao todo, foram executadas dezenas de ordens judiciais, incluindo mandados de busca e apreensão e prisões preventivas. Além disso, a Justiça determinou medidas como afastamento de funções públicas, uso de tornozeleira eletrônica, suspensão do porte de armas e bloqueio de bens que podem chegar a R$ 40 milhões.

Em um dos endereços ligados à investigação, na Capital, policiais apreenderam veículos e outros bens de alto valor. O imóvel, que pertence a um agente vinculado à delegacia de Sidrolândia, chamou atenção pela estrutura, incluindo sistemas de monitoramento e itens de luxo.

Como funcionava o esquema

De acordo com as investigações, o grupo contava com participação de agentes de segurança — tanto da ativa quanto aposentados — que teriam utilizado acesso privilegiado a sistemas policiais para repassar informações sigilosas.

Esses dados eram usados para facilitar crimes como contrabando, descaminho e lavagem de dinheiro. Mercadorias irregulares entravam no país e eram distribuídas em Campo Grande, sendo posteriormente enviadas para outros estados, muitas vezes “camufladas” em cargas legais.

Operação “Iscariotes”

A ação foi batizada de “Operação Iscariotes”, em referência à figura bíblica associada à traição — uma alusão direta ao suposto envolvimento de agentes públicos no esquema.

A operação é conduzida pela Delegacia de Repressão a Crimes Fazendários (Delefaz), com apoio da Receita Federal, e teve desdobramentos também em outros municípios de Mato Grosso do Sul e em cidades de Minas Gerais.

Investigação continua

A Polícia Federal segue analisando o material apreendido e não descarta novas fases da operação. O caso levanta questionamentos sobre a infiltração do crime organizado em estruturas públicas e reforça a importância do controle e fiscalização interna nas instituições.

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Foto de capa: Reprodução

Foto de corpo da matéria : Bruna Marques

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