TRANSPARÊNCIA

Médicos são denunciados por desvio em hospital de Sidrolândia; uma é filha de Vanda Camilo e esposa de Claudinho Serra

Filha de ex-prefeita e esposa de ex-vereador, Mariana Camilo é acusada de desvio de recursos; valores podem chegar a quase R$ 150 mil

O Ministério Público Estadual (MPE) denunciou a médica Mariana Camilo de Almeida Serra por suposto desvio de recursos no Hospital Beneficente Elmíria Silvério Barbosa, em Sidrolândia. Segundo a investigação, ela teria recebido pagamentos incompatíveis com a carga horária real, incluindo registros de plantões de até 36 horas em um único dia — algo impossível, já que o dia tem apenas 24 horas.

Filha da ex-prefeita Vanda Camilo (PP) e esposa do ex-vereador Claudinho Serra (PSDB), Mariana é acusada de ter recebido cerca de R$ 72,3 mil indevidamente. A ação também envolve o médico Newton Renato Ouriques Couto, ex-diretor do hospital, que teria recebido R$ 77,5 mil a mais, totalizando um prejuízo estimado em R$ 149,9 mil.

Newton Renato Ouriques Couto, ex-diretor do hospital, que teria recebido R$ 77,5 mil a mais (Foto:Divulgação/Rede Social)

A ação civil pública foi protocolada pela promotora Bianka Mendes e inclui ainda as empresas dos investigados: MedMari Atividade de Serviços Médicos e WorkMed Medicina e Saúde Ocupacional.

Plantões impossíveis e pagamentos acima das notas

De acordo com o MPE, os registros apontam situações consideradas “incompatíveis com a realidade”. Em um dos casos, Mariana teria recebido por um plantão de 24 horas durante o dia e mais 12 horas à noite no mesmo dia, somando 36 horas de trabalho em apenas 24 horas.

Além disso, no dia seguinte, ela teria repetido a mesma carga, acumulando 48 horas consecutivas de trabalho, mas com pagamento equivalente a 72 horas.

A promotora destacou que os documentos analisados indicam possível inserção de informações artificiais para justificar os pagamentos elevados.

Diferenças milionárias em apenas um mês

Os levantamentos do Ministério Público revelam discrepâncias significativas entre os valores pagos e os registrados em notas fiscais.

Em um único mês de 2020, por exemplo, o hospital pagou R$ 51.101,08 à médica, enquanto as notas somavam apenas R$ 30.101,80. Em outro período, o valor correto seria de R$ 19.650, mas foram pagos R$ 100,4 mil.

Segundo o MPE, as inconsistências foram confirmadas por análise técnica, reforçando indícios de prejuízo ao patrimônio público.

Conflito de interesses

Outro ponto levantado na investigação é o possível conflito de interesses. O médico Newton Couto, também beneficiário dos pagamentos, era responsável pela elaboração das escalas médicas, e amigo da ex-prefeita Vanda Camilo,o que pode ter facilitado as irregularidades.

Para o Ministério Público, o cenário aponta não apenas falhas administrativas, mas um ambiente favorável à realização de pagamentos indevidos.

Justiça vai decidir

A ação já foi protocolada e agora cabe à Justiça decidir se os envolvidos serão condenados a devolver os valores, que podem chegar a R$ 149,9 mil, corrigidos.

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Foto: Divulgação / Rede Social


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