Decisão da 2ª Câmara Criminal pode retirar tornozeleiras e restrições noturnas de investigados por corrupção em Sidrolândia, com exceção dos principais presos da operação

A 2ª Câmara Criminal do Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul vai julgar nesta terça-feira (10) um habeas corpus que pode beneficiar investigados na Operação Tromper, ação do Gaeco (Grupo de Atuação Especial no Combate ao Crime Organizado) que revelou um esquema milionário de corrupção em contratos públicos da Prefeitura de Sidrolândia.
Caso a medida seja aprovada, investigados que hoje estão sob monitoramento eletrônico e medidas cautelares como recolhimento domiciliar noturno poderão ser liberados dessas restrições. O pedido foi feito pela defesa de Marcus Vinicius Rossettini de Andrade Costa, ex-chefe de licitações em Sidrolândia , apontado como elo entre esquemas fraudulentos.

O argumento da defesa, comandada pelo advogado Igor Morais Paulino de Souza, é que o uso da tornozeleira ultrapassou o prazo máximo de 180 dias previsto pela própria Justiça estadual. “A medida cautelar caracteriza excesso de prazo, contrariando os princípios da razoabilidade e proporcionalidade”, disse o defensor.
A decisão da Câmara, se favorável, pode se estender automaticamente a outros investigados da mesma fase da Tromper, com exceção de Claudinho Serra, Carmo Name Júnior e Cleiton Nonato Correia, que permanecem presos, além de Ueverton Macedo da Silva, o “Frescura”, condenado por obstrução de Justiça após esconder o celular durante buscas do Gaeco.
Claudinho Serra, o chefe do esquema
Apontado pelo Ministério Público como o chefe do esquema, Claudinho Serra (PSDB) foi vereador em Campo Grande e secretário de Fazenda de Sidrolândia. Ele virou réu junto com outros 22 acusados em 19 de abril, após o juiz Fernando Moreira Freitas da Silva aceitar a denúncia do MP.
Segundo a investigação, o grupo promovia fraudes em diversas áreas da administração municipal — do Cemitério Municipal à Fundação Indígena, passando pelo abastecimento da frota e contratos superfaturados com empresas. Parte dos contratos incluía “mesadas” entre 10% e 30% do valor total, pagas a políticos e servidores públicos.
As informações foram reforçadas por delações premiadas, especialmente a do ex-servidor Tiago Basso da Silva, que detalhou como funcionava o esquema de repasses e favorecimentos.
A sessão da 2ª Câmara Criminal será decisiva para o futuro de vários investigados que, embora em liberdade, continuam sendo monitorados eletronicamente. O julgamento também representa mais um capítulo da complexa teia de corrupção revelada pela Operação Tromper, que segue desdobrando fases e aprofundando investigações em Mato Grosso do Sul.
Receba as principais notícias do Estado pelo Whats. Clique aqui para acessar as noticias do FourNews
Fotos: MPMS


Deixar um Comentário
Você precisa fazer login para postar um comentário.