CORRUPÇÃO

“É Deus!”, diz empresário ao ser incluído em licitação fraudulenta no esquema de Claudinho Serra

Empresário agradeceu a ‘graça divina’ após ser favorecido em contrato público fraudado em Sidrolândia; esquema envolve ex-vereador Claudinho, já preso na 4ª fase da Operação Tromper

Um diálogo revelado pelo Ministério Público Estadual (MPE) escancara o cinismo e a naturalização da corrupção dentro do esquema de fraudes em licitações comandado por Claudinho Serra (PSDB), ex-vereador de Campo Grande, durante sua influência na Prefeitura de Sidrolândia. Em conversa interceptada com autorização judicial, um empresário identificado como Valdemir Monção, conhecido como Nanau, agradece a Deus por ter sido “contemplado” com um contrato público obtido de forma ilícita.

A comunicação consta na representação do MPE que embasou os mandados de prisão e busca da 4ª fase da Operação Tromper. No dia 16 de fevereiro de 2022, Thiago Rodrigues Alves – apontado como braço direito de Claudinho – envia uma mensagem a Nanau informando:

“(Claudinho) já ajeitou outra para você”.

Surpreso e satisfeito, o empresário responde com um simples e revelador:

“Meu Deus”.

Logo em seguida, reafirma sua crença de que o contrato era uma bênção divina:

“É Deus”.

A obra em questão seria na Escola Municipal Darci Ribeiro, localizada em um assentamento de Sidrolândia, e foi formalizada com apoio do então chefe de licitações da prefeitura, Marcus Vinicius Rossentini de Andrade Costa. De acordo com o MPE, ele foi o responsável por encaminhar a documentação necessária e por coordenar a montagem de orçamentos falsos para simular uma concorrência inexistente – mecanismo típico de fraude em licitações.

Marcus Vinicius Rossentini de Andrade Costa (foto:avid Majella, Arquivo, SAD)

Apesar da falta de detalhes sobre os valores envolvidos no contrato obtido pela empresa de Nanau, o Ministério Público considera o episódio emblemático do nível de promiscuidade entre políticos, servidores públicos e empresários envolvidos no esquema.

Claudinho Serra, preso nesta fase da investigação, já respondia por suspeitas de liderar uma rede de corrupção na gestão da então prefeita Vanda Camilo (PP). Segundo o Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado), os acordos envolviam propinas e favorecimentos sistemáticos em troca de contratos públicos.

A naturalidade com que os envolvidos tratavam as fraudes – inclusive com agradecimentos religiosos – chamou a atenção da promotoria. Para os investigadores, a fala de Nanau revela não apenas sua participação no esquema, mas também a banalização da ilegalidade no núcleo criminoso. A investigação segue em curso.

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Foto: MPMS

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