Manobra envolvia fazenda, frigoríficos e depósitos suspeitos para simular venda de gado que nunca existiu, segundo o Ministério Público

O ex-vereador de Campo Grande e ex-secretário de Finanças de Sidrolândia, Claudinho Serra (PSDB), de 33 anos, virou réu por lavagem de dinheiro e corrupção passiva em mais uma denúncia do Ministério Público Estadual. Segundo a investigação, Claudinho usava o próprio pai, Cláudio Jordão de Almeida Serra, de 64 anos, para simular a compra e venda de gado com o objetivo de lavar dinheiro supostamente desviado da Prefeitura de Sidrolândia.
De acordo com a denúncia apresentada pelos promotores Bianka Mendes, Adriano Lobo Viana de Resende e Humberto Lapa Ferri, o esquema consistia na compra de gado com dinheiro da propina repassada por empreiteiras contratadas pelo município. O pai comprava os animais em seu nome e depois as supostas vendas eram atribuídas a Claudinho, que recebia diretamente os depósitos feitos por frigoríficos — mesmo sem ter entregado uma única cabeça de gado.
As empreiteiras citadas na denúncia são a AR Pavimentação e a GC Obras, de Edmilson Rosa e Cleiton Nonato Corrêa, respectivamente. Ambos estão envolvidos na Operação Tromper. Claudinho, Cleiton e o ex-assessor Carmo Name Júnior estão presos desde o dia 5 de junho. Na última terça-feira (7), o Tribunal de Justiça manteve a prisão dos investigados.
Uma das empresas usadas na lavagem, segundo o MP, é a Buriti Comércio de Carnes, de Aquidauana, que já havia sido alvo da Operação Vostok e acusada de envolvimento em esquema milionário de propina.
Vendas fictícias e depósitos suspeitos
O MP cita que em 11 de abril de 2023, a Buriti fez dois depósitos nas contas de Claudinho Serra — um de R$ 80 mil e outro de R$ 27.781,18 — referentes à venda de 21 bovinos. No entanto, a IAGRO (Agência de Vigilância Sanitária Animal) confirmou que Claudinho nunca entregou os animais ao frigorífico.
Situação semelhante ocorreu em maio de 2022, quando a empresa Balbinos Agroindustrial fez transferências de R$ 117.760,32 e R$ 133,8 mil ao ex-vereador, também pela suposta venda de gado que nunca foi entregue.
Estratégia de “commingling” para disfarçar propina
A acusação destaca o uso da técnica conhecida como “commingling” — mistura de dinheiro lícito e ilícito — para dificultar a identificação da origem dos recursos. Segundo os promotores, a Fazenda Divisa, em Anastácio, onde o gado era supostamente criado, funcionava parcialmente como fachada para legalizar o dinheiro sujo.
“O objetivo era inserir recursos ilícitos no sistema financeiro sob o disfarce de receitas agropecuárias. A confusão intencional impedia a rastreabilidade do dinheiro da propina”, destaca a denúncia.
O juiz Bruce Henrique Bueno dos Santos Silva, da Vara Criminal de Sidrolândia, aceitou a denúncia, tornando Claudinho e seu pai réus por lavagem de dinheiro e corrupção.
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Foto: Rede Social


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