CORRUPÇÃO

GAECO volta a Sidrolândia em nova operação enquanto condenações da Tromper reforçam gravidade do esquema

Viaturas foram vistas no Hospital Elmiria Silvério Barbosa na manhã desta terça; cidade segue sob intensa vigilância após primeiras penas ultrapassarem 37 anos de prisão

Viatura do gaeco em frente a casa do Presidente do hospital de Sidrolândia Elmiria Silverio Barbosa, Jacob Breure(Foto:Divulgação)

Sidrolândia amanheceu novamente sob o olhar atento da força-tarefa do Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (GAECO). Moradores relatam que, desde cedo, duas viaturas estão no Hospital Elmiria Silvério Barbosa, onde equipes realizam buscas. Até o momento, não há confirmação oficial sobre o motivo da nova operação no município, que já virou ponto constante de diligências por conta dos desdobramentos da Operação Tromper.

A cidade vive em clima de expectativa. Nos últimos meses, agentes do GAECO retornaram diversas vezes ao município para avançar nas investigações sobre o suposto esquema milionário de corrupção enraizado na administração pública desde 2017 — um dos maiores já identificados na região.

Condenações reforçam profundidade do esquema

Enquanto uma nova operação se desenrola, a Justiça já começou a aplicar as primeiras punições aos envolvidos na Tromper. O juiz Bruno Henrique dos Santos Bueno Silva condenou empresários, servidores e políticos apontados como participantes centrais de uma organização criminosa que fraudava licitações e desviava dinheiro público.

Entre as penas mais duras, está a de Ueverton da Silva Macedo, o “Frescura”, considerado um dos líderes do esquema. Ele foi condenado a 37 anos e nove meses de prisão por arquitetar licitações manipuladas e usar empresas de fachada para desviar recursos do município.

Outro condenado com pena elevada é Ricardo José Rocamora Alves, que recebeu 28 anos e oito meses de prisão por crimes como corrupção ativa, peculato e fraude em licitação. Juntos, ele e Frescura terão de pagar cerca de R$ 350 mil em multas.

Outros nomes também receberam sentenças significativas:
Antônio Carlos Nogueira Cardoso: 16 anos e quatro meses
Edvaldo Ferreira de Souza: 13 anos e sete meses
Everton Luiz de Souza Luscero: 15 anos e nove meses
Flávio Trajano Aquino dos Santos: 8 anos e quatro meses
Todos deverão cumprir suas penas em regime fechado.

César Augusto dos Santos Bertoldo (5 anos e seis meses) e Odinei Romeiro de Oliveira (4 anos e nove meses) cumprirão pena no regime semiaberto.

Estrutura criminosa operava há anos, aponta o MPE

O Ministério Público Estadual denunciou 22 pessoas, detalhando, em 232 páginas, o funcionamento de um esquema duradouro de corrupção que teria se instalado dentro da administração municipal. Segundo a denúncia, os envolvidos criaram uma rede para manipular licitações, afastar concorrentes, superfaturar contratos e não executar serviços — tudo isso em conluio com servidores que facilitavam as fraudes.

O objetivo, conforme o MPE, era claro: desviar dinheiro público, lucrar com créditos indevidos e distribuir propina entre membros do grupo.

Na denúncia, o órgão descreve como empresas eram abertas ou adaptadas apenas no papel para vencer certames com propostas abaixo do mercado, sem capacidade técnica ou estrutura real para executar os serviços contratados. O resultado, segundo os promotores, foi um rombo que movimentou milhões de reais ao longo dos anos.

Nova operação aumenta pressão

Com a movimentação desta terça-feira (18), Sidrolândia volta ao centro do noticiário policial. Ainda não há ligação confirmada entre a ação no hospital e as condenações recentes, mas a presença do GAECO acende o alerta de que novas fases da investigação podem estar em andamento.

A expectativa da população, mais uma vez, é por respostas — e possíveis novos desdobramentos de um caso que continua expondo as engrenagens de um esquema que, segundo o MPE, corroeu a administração pública por quase uma década.

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Foto: Divulgação

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