CORRUPÇÃO

Nome recorrente em esquemas de corrupção, empresário responde solto

Investigação aponta grupo estruturado que fraudava contratações públicas por dispensa de licitação; esquema envolvia contratos de “nuvem” que não eram entregues

A Justiça de Mato Grosso do Sul revogou a prisão preventiva de um dos alvos da Operação Fake Cloud, que investiga um esquema de fraudes em contratações públicas no município de Itaporã. O empresário Lucas de Andrade Coutinho, preso desde outubro de 2025, teve a liberdade concedida pela Vara Única da cidade.

Na decisão, o juiz considerou que os crimes apurados ocorreram entre 2022 e 2023 e que não ficou comprovado, de forma concreta, o risco de continuidade do esquema ou de transferência das práticas para outro município, como Corumbá. Com isso, a prisão foi substituída por medidas cautelares.

Lucas deverá pagar fiança de R$ 10 mil, comparecer mensalmente em juízo, cumprir recolhimento domiciliar noturno e está proibido de se ausentar da cidade por período superior a uma semana. O processo segue em andamento e a investigação não foi encerrada.

Esquema de fraudes em contratos públicos

A Operação Fake Cloud foi deflagrada pelo Grupo Especial de Combate à Corrupção para apurar crimes de organização criminosa, fraude em contratações públicas, corrupção ativa e passiva no âmbito do Poder Executivo Municipal de Itaporã. Ao todo, foram cumpridos três mandados de prisão preventiva e seis mandados de busca e apreensão em Itaporã, Campo Grande e Corumbá.

Segundo os investigadores, o grupo atuava de forma estruturada e contínua, fraudando processos de contratação por dispensa de licitação voltados ao fornecimento de licenças de sistemas de backup de dados em armazenamento em nuvem. As apurações indicam que, apesar dos contratos firmados, o serviço de “nuvem” não era efetivamente entregue ao ente público.

As investigações apontam que empresários e agentes públicos negociavam previamente os processos, simulando concorrência com propostas fictícias e exigências técnicas feitas sob medida para direcionar os contratos a uma empresa específica. Em troca, servidores recebiam vantagens indevidas e forneciam informações privilegiadas para garantir o sucesso do esquema.

O nome da operação, “Fake Cloud” — que significa “nuvem falsa” — faz referência direta ao objeto dos contratos investigados, já que o serviço contratado não era prestado conforme previsto.

Ligação com outras operações

Lucas de Andrade Coutinho também esteve entre os presos da Operação Turn Off, realizada em 2023 pelo Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado, em conjunto com o Gecoc. Na ocasião, ele e o irmão, Sérgio Duarte Coutinho Júnior, foram apontados como líderes de uma organização criminosa voltada à prática de fraude à licitação, peculato e corrupção.

As apurações tiveram início em processos licitatórios estaduais e municipais, envolvendo pregões eletrônicos e atas de registro de preços firmadas entre 2021 e 2022, além de contratos em municípios como Itaporã, Rochedo e Corguinho. Parte das provas foi obtida a partir da análise de celulares apreendidos em operações anteriores, como a chamada Operação Parasita.

Mesmo com a revogação da prisão, o empresário segue respondendo às acusações e permanece submetido às medidas judiciais. O caso continua sob investigação do Ministério Público e pode resultar em novas ações penais à medida que o inquérito avança.

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Foto: Reprodução / Rede Social


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