CORRUPÇÃO

Sidrolândia soma 6 operações contra corrupção em três anos e acumula prisões, delações e condenações

Tromper teve cinco fases, empresários receberam mais de 111 anos de prisão e esquema de propina via Pix desviou R$ 5,4 milhões da saúde

Sidrolândia voltou ao centro das investigações do MPMS nesta quinta-feira (26), marcando a sexta ação contra corrupção em três anos no município. A cidade, que já foi alvo de grandes operações, acumula prisões, acordos de delação, denúncias aceitas pela Justiça e condenações pesadas.

Segundo informações preliminares, os alvos desta nova ofensiva seriam pessoas ligadas à prefeitura, mas, em nota, a assessoria afirmou que “a princípio, não tem nada vinculado com a prefeitura”.

Operação Tromper: cinco fases e esquema milionário

A mais emblemática investigação foi a Operação Tromper, deflagrada pelo Gaeco em maio de 2023.

Segunda fase e primeiras delações

Em julho de 2023, o Gaeco realizou nova ofensiva contra o grupo acusado de “abocanhar” milhões em verbas públicas. Foram presos:

  • Ueverton da Silva Macedo, o “Frescura” (empresário);
  • Roberto da Conceição Valençuela (empresário);
  • Tiago Basso da Silva (servidor municipal), que posteriormente firmou a primeira delação premiada do caso.

Ao todo, sete investigados se tornaram réus, entre empresários e servidores públicos. Outro empresário, Milton Matheus Paiva Matos, teve o processo suspenso após fechar acordo de colaboração premiada.

As investigações apontam que o grupo se reunia para discutir fraudes em licitações e divisão de contratos públicos.

Terceira fase: contratos de R$ 15 milhões

Em abril de 2024, foi identificada uma nova ramificação da organização criminosa, ligada ao setor de engenharia e pavimentação asfáltica. Os contratos investigados somavam aproximadamente R$ 15 milhões.

Na ocasião, o ex-secretário Claudinho Serra — genro da ex-prefeita Vanda Camilo — foi preso. Ele havia assumido cargo de vereador na Capital dias após a primeira fase. Menos de um mês depois, foi solto.

Em abril de 2025, Serra e outros 22 investigados se tornaram réus após a Justiça aceitar denúncia apresentada pelo MPMS.

Quarta fase e nova prisão

Em junho de 2025, a quarta fase apontou que a organização criminosa continuava ativa mesmo após medidas cautelares anteriores. Claudinho Serra voltou a ser preso e posteriormente conseguiu liberdade por decisão do STJ.

Condenação histórica

Em agosto de 2025, sete empresários foram condenados a 111 anos e 11 meses de prisão, pelos crimes de corrupção, peculato, organização criminosa e fraude em licitações.

Dirty Pix: propina via transferência bancária

Outra investigação de forte impacto foi a Operação Dirty Pix, conduzida pelo Gecoc.

A operação cumpriu 18 mandados em Sidrolândia e Manaus (AM) e revelou o desvio de R$ 5,4 milhões destinados ao Hospital Dona Elmíria Silvério Barbosa para compra de uma ressonância magnética e uma autoclave.

Segundo o MPMS, parte da verba foi desviada pela direção hospitalar e por empresas fornecedoras, com pagamentos de vantagens indevidas a vereadores por meio de transferências Pix.

De acordo com a investigação:

  • Três vereadores teriam recebido juntos R$ 145 mil;
  • Um parlamentar teria recebido R$ 20 mil via conta da esposa;
  • Um operador político teria recebido R$ 482,5 mil;
  • Repasse de valores variava entre 10% e 30% dos contratos, dependendo da “mesada”.

Os pagamentos teriam ocorrido diretamente ou por meio de terceiros.

Defesas negaram irregularidades. A empresa fornecedora afirmou ter entregue os equipamentos e declarou não ter feito pagamentos ilícitos a políticos.


Cidade sob forte vigilância

Com seis ações em três anos, Sidrolândia vive um dos períodos mais intensos de fiscalização da sua história política recente. As investigações envolvem diferentes setores da administração pública — da infraestrutura à saúde — e seguem com desdobramentos judiciais.

A nova operação desta quinta-feira (26) Conforme apurado, um grupo estaria adquirindo terrenos, construindo imóveis e posteriormente vendendo as casas como forma de movimentar recursos ilícitos. A suspeita é de que o casal utilizava essa prática para lavagem de dinheiro, ocultando e dissimulando a origem de valores obtidos de forma ilegal.

Segundo o Ministério Público, foi identificada uma rede estruturada de apoio, composta por pessoas e empresas, que ajudaria a movimentar recursos financeiros e evitar o bloqueio judicial de bens.

Essa estrutura envolveria:

Movimentações financeiras mesmo durante o período em que o investigado esteve preso

Uso de contas bancárias de terceiros

Empresas registradas em nome de “laranjas”

Pagamentos realizados por interpostas pessoas

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Foto: Geovane Santos


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