Apenas três dos 13 vereadores comparecem; projetos sobre moradias populares, incentivo ao esporte e feriado indígena deixam de ser votados após boicote ligado à crise do transporte escolar rural

A sessão extraordinária convocada para as 18h desta quarta-feira (04) pelo presidente da Câmara Municipal de Sidrolândia, Otacir Figueiredo, a pedido do prefeito Rodrigo Basso (PL), terminou sem sequer ser aberta. Dos 13 vereadores, apenas três compareceram ao plenário: Shirley Basso (PL), Carol Terra (PL) e Joana Michalski (PSB). O número foi insuficiente para formação de quórum, impedindo o início dos trabalhos e transformando a noite em um revés político para o Executivo.
A pauta previa a votação de 15 projetos considerados estratégicos pela prefeitura. Entre eles, a permuta de uma área para viabilizar a construção de mais de 220 casas populares em parceria com a Agehab-MS.
Em entrevista ao Four News, o prefeito Rodrigo Basso afirmou que a aprovação dos projetos é fundamental para atender famílias que aguardam moradia no município.
“Hoje temos mais de 450 famílias com cadastro aprovado para receber moradias gratuitas. Nestes projetos de lei que seriam votados ,iríamos garantir terreno para a construção de 220 casas desse padrão em parceria com a Agehab-MS. Novamente a prefeitura e os impostos do povo de Sidrolândia estão bancando o terreno e toda a infraestrutura, como asfalto, drenagem, esgoto e energia”, afirmou.
Segundo o prefeito, também está previsto outro conjunto habitacional no bairro São Bento, com cerca de 40 casas destinadas às mesmas famílias que já possuem cadastro aprovado.

Entre os projetos que deixaram de ser analisados também estavam a criação do Auxílio-Representação, que teria como primeiros beneficiários churrasqueiros que representarão o município em um torneio internacional na Argentina, propostas de incentivo ao esporte e a instituição do feriado municipal de 19 de abril, Dia do Índio.
Durante a sessão esvaziada, Basso pediu desculpas às lideranças indígenas que estavam presentes no plenário e reafirmou que continuará defendendo a criação do feriado municipal.
Mesmo com o plenário lotado por servidores públicos e apoiadores, a estratégia não garantiu a presença mínima de vereadores. O esvaziamento foi articulado ao longo do dia e anunciado nas redes sociais por parlamentares, em retaliação à situação do transporte escolar rural, tema que vem gerando forte repercussão no município.
A crise começou após denúncias de pais sobre a precariedade no transporte de alunos da zona rural e assentamentos, incluindo relatos de longos percursos e ausência de monitores nos ônibus.
Diante do cenário, vereadores liderados por Cledinaldo Cotocio (PSDB) passaram a defender o travamento da pauta na Câmara sob o slogan “Sem transporte, sem voto”.
Sem quórum para abrir oficialmente a sessão, o prefeito utilizou a tribuna para fazer um discurso contundente sobre o episódio. Em um dos trechos mais comentados, Basso afirmou:
“Se tivesse negociata por terreno, eles estariam aqui.”
A declaração foi interpretada como uma crítica direta ao comportamento de parte do Legislativo e ampliou ainda mais a tensão política entre os poderes.
O episódio escancarou o racha entre Executivo e Legislativo em Sidrolândia. De um lado, o prefeito sustenta que projetos de interesse coletivo foram barrados por estratégia política. Do outro, os vereadores ausentes alegam que a medida foi uma forma de pressionar o governo a apresentar uma solução concreta para o transporte escolar rural.
Procurados pela reportagem, vereadores que não compareceram à sessão preferiram não comentar as declarações do prefeito relacionadas à suposta troca de benefícios por apoio político.
Enquanto o impasse continua, os projetos seguem sem votação e a crise política entre Prefeitura e Câmara promete novos capítulos nos próximos dias.
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Foto: Reprodução


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